
Break: o filme que convida o surf a voltar à sua forma mais pura e essencial
O projeto mais recente do surfista Tony Laureano, 'Break', propõe uma pausa no ritmo frenético do surf de alta performance. Um grupo de amigos, ondas pequenas e perfeitas, águas quentes e a redescoberta do prazer simples de surfar.
O surf que o mundo esqueceu de valorizar
Em um universo cada vez mais dominado pela alta performance, pelos ângulos impostos de câmeras de ação, pelos aéreos cada vez mais inverossímeis e pelo surf competitivo que exige manobras de risco máximo, existe uma pergunta silenciosa que muitos surfistas carregam: onde foi parar aquela sensação pura de apenas deslizar numa onda, sem câmera, sem competição, sem performance?
É essa pergunta que o surfista Tony Laureano decidiu responder com "Break", seu projeto mais recente e, talvez, o mais honesto de sua carreira. O filme propõe exatamente o que o título sugere em inglês: um intervalo. Uma pausa no ritmo acelerado. Um retorno deliberado ao que existe de mais essencial no ato de surfar.
Ondas pequenas como escolha estética e filosófica
A decisão de centrar o filme em ondas pequenas e perfeitas — não nas ondas gigantes de Nazaré, não nos tubos pesados de Puerto Escondido, não nas manobras aéreas dos campeonatos — é ao mesmo tempo uma escolha estética e uma declaração filosófica. Pequenas ondas exigem outro tipo de habilidade: leitura refinada do mar, fluidez de movimento, criatividade na execução, prazer no processo. Não há adrenalina de sobrevivência, há adrenalina de arte.
"Break" acompanha Tony Laureano e um grupo de amigos numa viagem em busca de um destino não revelado no filme. O conceito de "non-destination" reforça a proposta: o destino não importa tanto quanto o estado de espírito com que se chega.
Uma produção que respeita a estética do simples
A direção de Luís de Sá, da produtora Above Creators, captura a leveza do conceito sem cair no clichê do surf-trip genérico. As imagens têm uma qualidade contemplativa que combina com a proposta do projeto: câmeras posicionadas com paciência, luz aproveitada nos momentos certos, edição que respeita o ritmo natural das sessões. O elenco reuniu surfistas como Robertney Barros, Manuel Fróis, Sacha Bongaertz, Michael Monteiro e Wesley Brito — cada um com sua história, seu estilo e sua relação particular com o oceano.
Por que "Break" chega no momento certo
O surf contemporâneo está numa encruzilhada. De um lado, a profissionalização crescente, os contratos milionários, o surf olímpico, as transmissões ao vivo com milhões de espectadores. Do outro, uma parcela significativa da comunidade que sente que algo foi perdido nessa evolução. "Break" não condena a alta performance. É apenas um convite gentil para que, no meio de toda a aceleração do esporte moderno, ainda haja espaço para um dia de ondas pequenas com amigos, sal na pele e a sensação boa de não precisar provar nada para ninguém.
Planet Wave
Fique por dentro de tudo.
Entre na lista VIP e receba novidades exclusivas antes de todo mundo.
Entrar na lista VIP

